Amou-o tanto gratuitmente, espontaneamente, sem nada querer em troca a princípio. Nem o afeto.
E amar não é ter, bem sabemos. Não necessariamente. Por vezes meramente emprestamos a pessoa - ou nem isso, dependendo do grau de naturea platônica do amor.
Ela o amou; amou-o verdadeiramente. Ele não.
Ela se doou. Ele não.
Ela somente conseguiu um mísero momento, como que um sequestro relâmpago de uma alma. Nem emprestado pode lhe tomar, coitada.
- Coitada não. Ao menos viveu.
E cá entre nós, antes sofrer de amor que não sentir ou alienar-se ao sentimento. Sofrer nos torna mais humanos, mais vivos. -
E o sofrimento dela não vem ao caso. Mas o amor (?!).
Ela o amou inocentemente e intensamente ao mesmo tempo. Ela se entregou. Ele não.
E o minúsculo tempo que o teve foi eterno. E o beijo fez com que ela julgasse que sugou sua alma. Dona da alma, seria sua dona.
Mas ela seria dele. Ele não.
Para ela sim.
O amor então não era mais gratuito. Era paixão que cega e tem ambição por vidas.
Ela estava louca. Ele não.
Ela o quis, e se não fosse seu, quis que ninguém mais o possuise, ou sequer tocasse.
Ele não lhe deu a escritura ou atestado de posse. Sequer lhe deu o amor ou qualquer outro sentimento que não fosse pena. Amor não é posse ou gratidão.
Ela o perseguiu. Ele fugiu.
Ela perseguiu suas amantes, que também fugiram.
Ela enlouqueceu. Ela fez loucuras.
Ele tentou se salvar. Ela não permitiu.
Ela não mais o amava, mas o odiava, como que estivesse ultrapassado a fronteira limítrofe (e tênue) entre tais sentimentos.
Era um ódio passional (?!).
Ela quis ser mais que sua posse. Quis ser sua dona.
Ele preferia se distanciar cada vez mais.
Ela chorava. Ele temia.
Ele quis matá-la, mas só quis.
Ela o matou.
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