Tu que disseste ver...
Não reclames que és solitário, que ninguém te estende a mão. Eu quis estar ao seu lado, andar ombro a ombro, cuidar-te, proteger-te, amparar-te, ajudar-te... Tu só me fizeste distanciar de ti, mesmo eu não querendo.
Distanciaste de mim, deu-me em troca de amor o desprezo, a ignorância, o desdém, o descuido.
Enquanto eu te buscava, tu fugias de mim.
Enquanto eu queria te proteger, tu querias desatar nós.
Enquanto eu pensava em ti, tu pensavas em outra.
Enquanto eu sonhava contigo, tu dormias em outra cama.
Fiz o que foi e o que não foi de meu alcance. Mesmo longe fisicamente sentia-me perto. E o perto tem cheiro, temperatura.
Queria beber-te na textura de cada gole. Queria fazer de ti a causa da minha embriaguez.
Mas quando mais precisei, tu me deixaste. Fugiste de mim sem razões sinceras.
Justificaste com fraqueza aquilo que não se pode justificar.
Quebraste o que eu acreditava que nos unia de forma concreta.
Foste desonesto com aquilo que nos moveu por meses. Foste vulnerável ao tempo.
Eu tentei. Usei de todas as minhas artimanhas e forças. Passei por cima de um orgulho que me faria tropeçar. Insisti. Abri meu peito. Acreditei na pequenez de todos os obstáculos diante do que vivenciamos.
Mas fostes covarde. Covardemente rude.
Não assumes que não me desejas...
Foste fraco em lealdade. Desonesto.
Sim, foste desonesto comigo e consigo mesmo.
Não me conforta pensar nisso, mas causa-me dor maior.
Quero seu bem, querer-te bem, querer-te comigo. E só comigo.
E se não posso ter-te, alimento-me aqui de água e sal do meu suor e de minhas lágrimas, impotente por ter-me deixado, mas sem entregar os pontos.
Não te seguro mais a mão. Não te prendo.
Estás solto para viveres o que precisas viver, o que acreditas que te brindará com felicidade (e que te brinde, por favor).
Apenas respeito tua decisão porque te gosto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Quero te ouvir...