terça-feira, 16 de outubro de 2012

Fui ali ser feliz e já volto!

A correria me faz novamente me apossar de palavras alheias... Mas mais que apossar, uso-me delas aqui neste post para estimular uma reflexão.
A intensidade da vida a que ele nos leva pensar é que me proporciona a correria do momento, não apenas as 1000000000001 obrigações.
;-)


Uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.

(Danuza Leão)

Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente. OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago...



"Você nasce sem pedir e morre sem querer.
Aproveite o intervalo."

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Paixão Nacional (só que não)

Nunca vim aqui falar sobre futebol. Na verdade raramente falo sobre atualidades ou escrevo de forma concreta ou autobiográfica. Prefiro até mesmo me vestir de personagens para me expressar melhor do que me expor ''nua e cruamente''. Sei lá, acho que é uma tendência que as Artes me trouxeram; acho mais interessante meus personagens que eu mesma. Acho não; eles SÃO mais interessantes. E quando falo de mim mesma, geralmente falo sobre saudade, sobre pessoas e sentimentos que me compõem ou até mesmo estas pessoas falam por mim.
É que quando sinto necessidade de falar "eu por mim mesma" sou bem objetiva - o que nem sempre é visto com ''bons olhos'' nem ética nem esteticamente - , deixo toda a linguagem poética de lado com suas expressões sentimentais bonitas e por vezes piegas, para das espaço à expressão de sentimentos também nobres, porém menos singelos, mais críticos e, há quem diga que são até mais agressivos (risos). Deixo de falar de sentimentos para deixar os sentimentos falarem. E eles falam, apaixonadamente também, mas nem sempre afetuosamente.

Pois bem. A razão que me traz aqui hoje para falar criticamente sobre futebol - mais especificamente de futebol brasileiro - chama-se vergonhosamente CBF. Sim, a sigla que carrega a mesma nacionalidade que eu  e este esporte tão aclamado em nosso país carrega também manchas que ficam cada dia mais nítidas, o que tira toda a ''magia'' que o futebol nos proporciona.
Confesso que por vezes prefiro até nem acreditar nas obviedades para não me desiludir do esporte, até porque sei que conseguirei não acompanhar jogos da Seleção Brasileira, mas não do Galo. Só que por outras vezes nosso nariz vermelho é tão esfregado à realidade nojenta a que estamos como público e torcedores submetidos, que é impossível não nos indignarmos. E esta é uma das vezes.

Podem me chamar de ''bairrista'', ou me acusarem de "chorona", porque toda torcida rival prefere enxergar o próprio umbigo ao rabo do time alheio; mas qualquer pessoa que gosta de futebol e que parar para pensar friamente na história do esporte no país, vai ver que há máscaras a cair, regras a serem revistas, lideranças a serem questionadas. Eu que nem sou tão "entendida" assim percebi isso, sim, devido a injustiças contra meu time, mas que ferem qualquer coração apaixonado e tiram a esperança de qualquer justiça, seja ela da natureza que for, neste país (e olha que nem sou de reclamar do Brasil e de suas ''maracutaias'' políticas e judiciárias, apesar de senti-las e ressenti-las).

E antes que eu seja ainda mais clara, me respondam: Quando na história do Futebol julgaram um jogador por um lance não marcado pelo juiz, e mais de um mês após a partida, ele é punido por este lance, tendo como relator do caso um torcedor de um time rival que já se expressou publicamente contra o jogador em questão? Quando na história do Futebol um time teve sua defesa, goleiro e atacante tidos como os melhores do país, porém quando a seleção faz suas convocações para amistosos recém-inventados em épocas de campeonato brasileiro, o time que oferece alguma ameaça a este "time de craques" é que tem seus jogadores contratados como "reservas dos reservas"?
Estas são apenas duas das questões que exemplificam minha indignação, sem contar os inúmeros pênaltis não marcados a favor do Galo ou de qualquer outro time que não abasteça financeiramente este show superfaturado do futebol, que não esteja no eixo econômico e midiático do país; sem contar os cartões frequentes que dão aos jogadores do meu time e faltas omitidas de times dele rivais direta ou indiretamente; fora jogadores expulsos ou convocados para "jogos-fantasia" amistosos da seleção.

Me responda agora, por que a abertura da Copa de 2014, tendo tantos estádios para acontecer, acontecerá em um estádio que sequer existia quando de sua escolha como sede?

E você me pergunta o que uma coisa tem a ver com a outra. E eu respondo com outros questionamentos (afinal, detesto pensamentos prontos):
Mas não seria mais fácil estruturar melhor um estádio já existente para este acontecimento apenas do que construir outros tantos com dinheiro público, e este em questão como um presentinho do povo brasileiro para um clube que movimenta rios de dinheiro em São Paulo?
E o Campeonato Brasileiro? Seria mais lucrativo para o Estado e a midia um time do eixo Rio-SP ganhar ou um time de outro estado que, embora de uma região rica, movimenta menos dinheiro neste quesito? Seria lucrativo punir um time que faz parte deste eixo econômico, levando seus jogos para um local mais difícil de se movimentar e lavar dinheiro mesmo que temporariamente?

Então, às vésperas do espetáculo desmascarado da política do Pão e Circo do nosso país Rom... ops, Brasil, reflita sobre o fato de por muito menos o Goiás ser punido nos jogos da segunda divisão e perder mando de campo, as próprias Marias (Cruzeiro) perderem mando de campo por causa de palhaçada da torcida contra o Galo, e a torcida do  Fla fazer o que fez (apitar com apito de juiz deixando os jogadores confusos nos lances, jogar laser no olho de jogador do Galo, vaiar, fazer faixa insultando mãe doente do jogador do time rival) e nada. E ainda agora (porque vale julgar depois, né, tão dizendo aí), o STJD ter como relator do caso do R49 um flamenguista declarado, que tem publicadas em redes sociais fotos e montagens do jogador julgado. Que caso? Que fotos? Veja:

http://extra.globo.com/esporte/relator-que-fez-denuncia-que-suspendeu-ronaldinho-gaucho-torcedor-do-flamengo-6359051.html

Aí nós, atleticanos, reclamamos que o Galo é o time mais "operado" e "garfado" do futebol, como diria Milton Neves, e você da torcidinha rival diz que é "choro" e que falamos de outros times. Mas eu mesma venho aqui dizer que o que cito sobre outros times é de efeito comparativo em relação ao tratamento da CBF. E até mesmo nossa indignação em relação a este tratamento destinado ao Galo, apesar de ter muito a ver com nosso amor pelo time, tem mais ainda a ver em relação a esta (des) organização do futebol brasileiro. Senão não teríamos questionado nosso próprio time no último (e traumático) clássico do ano passado.

E que a CBF falha contra outros times além do nosso, com certeza. Mas atualmente, neste bom momento do Galo, na disputa pelo Brasileirão... Ah, eu tenho minhas dúvidas. Basta ver como o Fla jogou bravamente contra o Galo, marcando R49 de todos os lados, e como jogou (errando pênalti) contra o Flu. Fora que a própria presidência do Fla e comissão técnica já declararam em rede nacional que querem qualquer um campeão menos o Galo. Basta também ver o jogo adiado por meses com a desculpa de mau estado do campo (como se não houvessem outros no Rio ou até mesmo em MG), o que deu tempo do Fla tentar se estruturar e jogar o único jogo que jogou de fato até agora no campeonato.
Jogo de interesses ou não? Marias não ajudariam o Galo porque estariam assinando sua própria sentença. Já os times do eixo Rio-SP... não sei.

Kalil é visto como polêmico porque sempre bate de frente com a CBF. Ele é sim polêmico em suas declarações, muitas vezes até efusivo nas manifestações de um líder, mas não creio que assim seja gratuitamente.
A arbitragem erra sim, mas é incrível como erra bem mais contra o Galo. Tricolores dizem que se os juizes não errassem estariam 9 pontos a frente do Galo. Mas se  não errasse vocês não estariam 9 pontos a frente não, porque só contra o Bota foram 2 pênaltis não marcados a favor do Botafogo, por exemplo. A defesa do Flu é boa sim, há de se reconhecer, mas perfeição não existe, e a CBF quer que acreditemos que sim, porque nem cartão nunca tomam os zagueiros tricolores. E outra: se o Fred é artilheiro e Diego Cavalieri melhor goleiro do Brasil, e a defesa do Flu é a melhor, porque estão em todos os jogos e os jogadores do Galo (Victor, Bernard, Réver) é que são surpreendentemente convocados pra ficarem de reserva do reserva nos jogos da seleção?
 Só agradeço R49 por não ter aceitado a convocação no passado, o que causou birra da CBF contra ele, e agora o deixa jogar o campeonato no Galão - mas nem duvido de o convocarem só por birra e picuinha depois desta aí.

O pior de tudo é julgarem por um lance que o juiz nem marcou. Nunca isso aconteceu no futebol. Daqui uns dias anulam gol de acordo com o que analisam das câmeras após o jogo. Por mim seria ótimo se isso acontecesse até em tempo real, como em outros esportes como o Tênis, por exemplo, mas em relação a TODOS os times. Porém sei que não vai ser, como nunca aconteceu antes neste tipo de julgamento contra o R49.

É tudo muito estranho. Não tiro mérito do Fluminense, nem digo com toda certeza que se não houvessem estas "falhas de arbitragem" e da CBF seria diferente. Agora, quando o Galo merece, me indigno contra o time também. O triste é quando o time está bem,  tem que jogar contra midia, CBF, juizes e rivais tudo ao mesmo tempo, além do STJD agora.
É de indignar.

Sei que fui clara e objetiva até demais, e peço desculpas, porque não queria falar de outros times. E peço desculpas aos torcedores principalmente, pois não quero falar do "time dos outros", e não falei de forma ofensiva como podem ver, pelo contrário; até exaltei qualidades que admiro. Mas a comparação é inevitável em termos de justiça.

Eu sempre fui mais Galo que Brasil. Mas agora, além de ser Galo até morrer, sou anti seleção brasileira, por motivos claros. Quero mais é que esta Copa de 2014 seja uma vergonha, um fracasso, tanto em termos estruturais, quanto em termos desportivos (que fique claro que não só por esta questão contra meu time, mas pela lavagem de dinheiro que o evento está proporcionando). Que a Seleção não se classifique nem pras quartas de final. E que o evento mostre para o povo onde de fato está indo parar esta verba toda investida nele e no Futebol.

O que eu queria mesmo é que meu Galão vencesse todas estas adversidades, conquistasse o campeonato nos dando mais esta alegria, calasse a midia, a CBF, o STJD e todos os "corneteiros" de plantão. Mas por hora só tenho a torcer por ele e a concordar com meu irmão: "Dá-lhe Uruguai" em 2014! Aliás, qualquer um, menos CBF.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Versando

Faltam-me palavras... palavras escritas, faladas, lidas, versadas.. Falta-me a fala, a estrofe, o texto, a poesia.
Falta-me a inspiração, o exprimir criativo, o gerar, o 'parir'... Falta-me a organização das ideias, das letras, da 'tela-papel', do 'cérebro-peito'.. 
Sim, falta a organização, mas não me falta o sentir, nem o pulsar, nem o desejo de  expressar simbolicamente os pensamentos sensíveis, a explosão visceral de sentimentos que me forma.


Por isso, tomo mais uma vez o discurso alheio, o qual parece ter saído é de minhas entranhas, mais que da minha boca ou de meus dedos, e que fala, grita, berra por mim.. vira-me do avesso e deste lado me expõe:


"Se eu sei escrever o que sinto? Sei, sei mais do que falar...mas deveria preferir falar. O dizer é guardado além da composição, mesmo que gravada em versos. O dizer chega aos caminhos da memória e, num feixe de luz, é recordado. As letras n
ão precisam da memória, mas da memorização, e de inúmeras leituras e interpretações que às vezes não traduzem a ideia. É como tentar decodificar a alma, que nem os próprios escritores entendem. Quando estes falam, nas poucas vezes que trocam as letras pelo discurso, têm a propriedade sem a apropriação de sentimentos externos, porque quando escrevemos, combinamos as palavras do mundo, quando falamos, confessamos o que está em nós."

[Thaís Mendonça, que falou por mim, rs]