Falta-me a inspiração, o exprimir criativo, o gerar, o 'parir'... Falta-me a organização das ideias, das letras, da 'tela-papel', do 'cérebro-peito'..
Sim, falta a organização, mas não me falta o sentir, nem o pulsar, nem o desejo de expressar simbolicamente os pensamentos sensíveis, a explosão visceral de sentimentos que me forma.
Por isso, tomo mais uma vez o discurso alheio, o qual parece ter saído é de minhas entranhas, mais que da minha boca ou de meus dedos, e que fala, grita, berra por mim.. vira-me do avesso e deste lado me expõe:
"Se eu sei escrever o que sinto? Sei, sei mais do que falar...mas deveria preferir falar. O dizer é guardado além da composição, mesmo que gravada em versos. O dizer chega aos caminhos da memória e, num feixe de luz, é recordado. As letras n
ão precisam da memória, mas da memorização, e de inúmeras leituras e interpretações que às vezes não traduzem a ideia. É como tentar decodificar a alma, que nem os próprios escritores entendem. Quando estes falam, nas poucas vezes que trocam as letras pelo discurso, têm a propriedade sem a apropriação de sentimentos externos, porque quando escrevemos, combinamos as palavras do mundo, quando falamos, confessamos o que está em nós."
[Thaís Mendonça, que falou por mim, rs]

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