Eu quis brincar de amor, meu bem, mas você só quis brincar comigo. Eu quis lhe dar todo o amor, mas você apenas me quis na efemeridade das horas, e dos beijos, e dos afagos. Eu quis lhe fazer uma canção, mas você não quis cantá-la. Eu quis lhe escrever um verso, mas você não quis completar minha estrofe.
Agora eu quero saber como não querer. Deus, como posso com este desejo que tem corpo e alma?
Quero rasgar o verso pra não mais recitá-lo, mas a poesia se completa quando penso em fazê-lo. Desafino a canção na sofreguidão de minha voz que a balbucia com sentimento de intérprete.
Só em pensar em desprezar os beijos, o desejo por eles aumenta. Deus, tanto querer! Tanto não querer!
Entreguei minh'alma ao amor, mas ele não retribuiu. Ou retribuiu com carne apenas o que me penetra esqueleto e vísceras, o que me pulsa e me traz vida. Vida e morte.
Não quero mais querer. Não suporto mais este querer. A dor mora ao lado do desejo. A dor mora ao lado do amor.
Quero paz às lembranças, quero silêncio ao coração. Não quero amar, mas quero. Não quero porque o amor não me quer.
Vem. Ensina-me a não querer amar-lhe tanto. Ensina-me a viver sem você sabendo que existe. Ensina-me a sobreviver ao passar das horas na sua ausência. Ensina-me a respirar um ar que não seja o seu, que não me lembre o seu.
Liberta-me da sua prisão. Solta minh'alma ao vento.
Quero a liberdade de poder querer outro querer.
Quero poder encontrar um querer que queira o meu.
Devolva-me a vida, as vontades, os sentidos. Dá de volta meu poder de sentir e perceber meu coração como meu, meu corpo como meu.
Queira-me como lhe quero e eu canto.
Se não, devolva minha canção.
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